Bumlai admite que intermediava ‘demandas’ para Lula
O pecuarista José Carlos Bumlai disse em novo depoimento à Polícia Federal que repassou pedido do lobista Fernando Baiano para o amigo e ex-presidente Lula
DANIEL HAIDAR
23/12/2015 - 19h13 - Atualizado 23/12/2015 19h50
Bumlai só admitiu que repassava “demandas” a Lula depois que foi questionado duas vezes pela Polícia Federal se tratava de “assuntos comerciais” com o ex-presidente. Ele confessou que encaminhou a Lula um pedido do lobista Fernando Soares, o Baiano, “relativo a uma palestra a ser realizada em Angola, no Centro de Estudos Avançados de Angola”.
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Antes de detalhar como repassava tais “demandas” ao ex-presidente, Bumlai tentou sustentar a versão de que “nunca tratou de questões comerciais ou políticas” com Lula. Mas, logo depois, admitiu que “muitas pessoas encaminhavam demandas via e-mail ao Instituto Lula e que, ante a ausência de respostas, solicitavam ao reinterrogando, na medida do possível, que fizesse contato junto ao Instituto para viabilizar ao menos a apreciação dos pedidos”. Bumlai alegou que conversava com Clara Ant, diretora do Instituto Lula, e “repassava os pedidos”. Mas o pecuarista não quis mencionar nenhum caso além do “pedido” do lobista Fernando Baiano. Disse apenas, genericamente, que os pedidos eram “apreciados”.
Bumlai disse também que conversava com Lula pelo número de telefone da ex-primeira-dama Mariza Letícia. “Lula nunca possuiu um número de celular próprio”, alegou o pecuarista no depoimento. Mas a narrativa superficial de Bumlai não convenceu os policiais. Na metade do interrogatório, o delegado Filipe Pace mostrou cópias de um e-mail enviado por Bumlai. Era uma prova de que, até aquele momento, ele insistia em omitir fatos importantes dos policiais. No e-mail, Bumlai agendava uma reunião de Lula com um embaixador do Qatar.
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