OLGA MAIA, doação que faz bem a corpo e alma, parabéns...
Olga revive o Natal todo dia com o bem que faz no Peter Pan (IGOR DE MELO )
Olga Maia, além de oficiala da Justiça do Trabalho, é uma obreira de vidas em construção. Na maior parte do seu dia, ela arquiteta sonhos bem reais, na tentativa de mitigar as dores de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Com uma reunião aqui, um evento ali, ela já agrupou centenas de voluntários que, como ela, não conseguem ficar imunes as pelejas do outro.
O primeiro tijolo, Olga edificou há 15 anos, quando começaram as primeiras visitas na ala de câncer no Hospital Infantil Albert Sabin. Um ano mais tarde, em 1997, misturou cimento e areia e ajudou a fundar o Projeto Peter Pan, que hoje se transformou em Associação e modifica 1.850 vidas. São meninos e meninas, de até 19 anos que, desde muito cedo, têm de aprender a serem soldados numa luta cruel.
Sem achar justo esse sofrimento, Olga resolveu também juntar-se ao exército. A ideia surgiu logo após a morte do pai, em 1995, em decorrência do câncer. “Nesse trabalho, a gente é obrigado a lidar com a morte. Mesmo com o rosto cheio de lágrimas, temos que sorrir instantes depois, por ter de lidar com outra criança”, constata Olga, enquanto recorta os momentos mais bonitos vividos na associação.
É justamente nesse ponto em que está o benefício que o voluntariado traz para si: o doar-se é sem esperar algo em troca. Mas o bem-estar, a sensação de que está fazendo a coisa certa traz ânimo para o corpo e para a mente. Olga conta que se sente cada dia mais disposta com o trabalho. “O Natal é todo dia, toda vida que a gente se dispõe a fazer pelo outro o que a gente quer para a gente”, define.
O voluntariado traz muitas alegrias. É com as crianças que Olga tem as melhores lições. Porque, mesmo que debilitados de uma quimioterapia, conseguem, fácil, arrancar um sorriso. E foi também com a doação que Olga conseguiu erguer seu grande sonho: a construção do hospital especializado para o câncer infantil, em funcionamento desde o ano passado. O local tem 71 leitos de enfermaria e sete leitos de UTI especializada. Tudo muito colorido, até para aliviar as dores sentidas ali. “Quando a gente se dispõe a fazer, é sem nada em troca”.
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