terça-feira, 7 de janeiro de 2014


Empresas que participaram de licitação da PMF usam mesmo endereço

A empresa LA Brasil tem como sede um imóvel no bairro Dionísio Torres para guardar seus carros. O mesmo local aparece como um dos endereços alternativos de sua concorrente na licitação, a Locadora de Autos Ceará (Lauce)

Hébely Rebouçashebely@opovo.com.br
FABIO LIMA
Sede da empresa LA Brasil também é utilizada com um dos endereços alternativos da Locadora de Autos Ceará (Lauce)
As duas empresas que chegaram à reta final da licitação da Prefeitura de Fortaleza para aluguel de veículos têm algo em comum além do interesse em fechar contrato de R$ 68,9 milhões com o Município. A LA Brasil, denunciada por supostamente usar um laranja como sócia, e a Locadora de Autos Ceará (Lauce), derrotada na última etapa do certame por não ter aparecido para entregar os documentos, utilizam o mesmo endereço. 


A LA Brasil – que presta serviço à Prefeitura desde a gestão passada e foi habilitada, em dezembro, para continuar como locadora oficial do Município – utiliza um imóvel no bairro Dionísio Torres para guardar seus carros. O mesmo local aparece como um dos endereços alternativos de sua concorrente na licitação, a Lauce, conforme revela consulta feita ao cadastro do Serasa.

Outro detalhe é que o imóvel no bairro Dionísio Torres consta, em diversos guias disponíveis na Internet, como sede de outras duas locadoras de veículos: a Trapézio e a Movement. Documentos e processos da Justiça Estadual e do Tribunal de Contas dos Municípios mostram que as empresas tinham ligação com o suplente de deputado estadual Adail Carneiro, identificado como representante legal da Trapézio e como sócio da Movement (ver texto abaixo).

A Trapézio e a Movement não participaram da licitação da Prefeitura, ao contrário do que fizeram a Lauce e a LA Brasil. Esta última aguarda o resultado da análise de recursos para ser homologada, ou não, como vencedora da concorrência pública.
 
Denúncias
No início de dezembro, a locadora Brasil foi denunciada pelo vereador Capitão Wagner (PR), que apontou que a sócia majoritária, Cícera Fernanda Pires Silva, seria apenas um laranja. Segundo ele, a mulher receberia R$ 350 mensais como pensionista da Prefeitura de Russas. O gerente da locadora, José Vicente da Silva Júnior, disse que houve “distorção da realidade” e que Cícera chegou a receber como pensionista, mas somente até 2007, antes de virar dona de 90% das cotas da Brasil, cujo capital social é de R$ 5 milhões.

Por telefone, O POVO conseguiu localizar a mulher, que disse estar “sem tempo” e não quis dar entrevista. O número de telefone corresponde a um município do Interior. Questionada sobre o caso, a Prefeitura alegou, por meio de sua assessoria, que foi aberto o prazo para recurso contra a licitação e somente após essa análise é que a Comissão de Licitação poderá homologar o resultado. Com relação a suspeita em torno da propriedade das locadoras, a Prefeitura afirmou que “não tem como impedir a participação de empresa que esteja funcionando legalmente e ativa. Qualquer empresa que cumpra as exigências pode participar do processo licitatório”
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